Solidão: um paradoxo entre estar conectado e sentir-se sozinho

Solidão. Substantivo feminino; estado de quem se sente desacompanhado ou isolado. Um sentimento muitas vezes associado ao afastamento, a solidão tornou-se um dos principais inimigos invisíveis da saúde mental. Mas como é possível que as gerações mais conectadas da história se sintam tão sozinhas?

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos, o Brasil é o país onde as pessoas mais relatam a sensação de solidão, um sentimento que, frequentemente, está vinculado à depressão. A pesquisa foi conduzida com pessoas de 28 países, incluindo mil brasileiros, e revelou que 50% dos entrevistados afirmaram sentir-se solitários. Embora a pesquisa tenha sido realizada em 2021, no auge da pandemia de Covid-19, o que pode ter influenciado as respostas, os números continuam preocupantes em 2025. O fato de que muitos brasileiros ainda enfrentam esse sentimento é alarmante e merece reflexão.

Na era digital e das conexões rápidas, é natural que esperássemos que os seres humanos estivessem mais conectados. No entanto, o que parece ocorrer é exatamente o oposto: as mídias digitais têm, paradoxalmente, nos afastado cada vez mais uns dos outros. Para saber como aquele colega de faculdade está, não é necessário agendar um café em uma tarde de sábado. Bastam alguns cliques e uma rápida olhada nos stories para saber exatamente o que ele tem feito. Se quero compartilhar uma novidade com minha melhor amiga, uma mensagem de texto basta, e em segundos ela já me responde com emojis que expressam sua reação.

É verdade que muitos brasileiros hoje dedicam até 80% do seu dia à rotina exaustiva de trabalho, aos longos períodos no trânsito e aos cuidados com o lar. No entanto, é impressionante como essa velocidade e a necessidade de fazer tudo de maneira imediata têm nos afastado do contato físico, do abraço, da verdadeira conexão – aquela que não se perde com a instabilidade de um roteador Wi-Fi.

Estamos adoecendo por nossos próprios atos – em algumas ocasiões por escolha, em outras pela necessidade de pagar as contas e sobreviver – e muitas vezes não percebemos. As horas que passamos em frente a uma tela de celular, observando o quão “maravilhosas” as vidas alheias parecem, estão nos tirando a capacidade de ser amigo, de ser escuta atenta, de ser a companhia real.

Estar sozinho pode, de fato, ser muito bom em alguns momentos, mas sentir-se sozinho constantemente pode ser uma experiência dolorosa e difícil de lidar. Precisamos de uma reflexão urgente sobre como estamos priorizando a conexão humana em nossas vidas, para que a solidão não se torne nossa companheira permanente.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.